A beleza da cultura e da arte brasileira como uma referência para muitos artistas.
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Quando paramos para observar a identidade do nosso país, percebemos que a arte brasileira é uma referência que cruza fronteiras, nossas cores, nosso cinema, nossa música e literatura não encantam apenas a nós mesmos, eles influenciam e inspiram criadores no mundo inteiro e o segredo disso está na nossa própria essência, somos um país profundamente rico e miscigenado. É dessa mistura de heranças e afetos que nasce um jeito autêntico, vibrante e belo que se espalha pelo mundo.
O começo da nossa arte nasce pelo olhar. Durante muito tempo, tentamos imitar a estética europeia, ignorando a nossa própria beleza para tentar seguir os padrões daqueles que nos discriminavam e humilhavam, porém nossa alma é colorida demais para caber em molduras cinzentas. Quando artistas como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti decidiram pintar o Brasil real, com as cores caipiras, os rostos do nosso povo, o samba e a nossa fauna, o mundo parou para olhar.
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A pintura brasileira ensinou as pessoas a se enxergarem com orgulho. Ela influenciou gerações ao mostrar que a beleza não está na perfeição fria, mas na identidade da nossa terra.
O Brasil é um país visual que se ouve, das telas de pintura, a nossa arte transborda naturalmente para o som, a música brasileira é considerada uma das mais ricas do planeta justamente por ser esse artesanato sonoro, o encontro do tambor africano, do violão europeu e do sopro indígena.
É o que Jorge Ben Jor canta com tanto orgulho e balanço:
“Moro num país tropical, abençoado por DeusE bonito por natureza (mas que beleza)Em fevereiro (em fevereiro), tem carnaval (tem carnaval)Tenho um fusca e um violão, sou FlamengoTenho uma nega chamada Tereza…”
A nossa música consegue tocar aquele que a ouve, assim como a nossa arte toca aquele que a vê. Nós, brasileiros, aprendemos a exaltar a beleza da nossa própria cultura, parando de nos rebaixar aos padrões impostos por aqueles que nos colonizaram.
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O cinema é onde esse som e essa imagem encontram o seu auge, unindo-se para mostrar a riqueza de detalhes e o talento dos nossos artistas na atuação de filmes e séries que retratam muitas vezes a nossa realidade e a nossa cultura tão rica. O cinema brasileiro não mostra somente a beleza, mas também a nossa resistência e as lutas que lutamos ao longo dos séculos. É a nossa história sendo contada por nós mesmos, um espelho de quem fomos e de quem queremos ser.
Esse orgulho destemido e a recusa em baixar a cabeça para quem tenta nos colonizar ou apagar a nossa existência pulsa forte nas telas. Um grito que atravessa gerações e que bate no peito é a frase marcante do filme O Que É Isso, Companheiro?:
“A única coisa que não podem nos tirar é o direito de lutar pelo nosso país. O Brasil não pertence a eles, pertence a nós.“
Essa certeza de que a nossa pátria e a nossa cultura são territórios de sobrevivência, construídos com o sangue e o suor do nosso povo, é o que torna o nosso cinema uma força inabalável. Nós temos história, temos valor e, acima de tudo, temos o orgulho de pertencer a esta terra.
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Depois de passear pelas telas, melodias e projetores, a gente chega ao lugar onde a nossa alma é desenhada com palavras: a nossa literatura. A língua portuguesa falada no Brasil tem uma beleza única, ela é musical, cheia de ginga, afeto e uma malemolência que não existe em nenhum outro lugar do mundo. E foi cortando as amarras do passado que os nossos escritores fizeram história. Com as nossas Vanguardas Modernistas, a partir da Semana de Arte Moderna de 1922, a literatura brasileira chutou o balde dos padrões europeus e assumiu de vez o nosso jeito de falar, de lutar e de sentir. Eles mostraram que a nossa fala cotidiana, misturada e cheia de sotaques, é pura poesia.
Para coroar esse orgulho e essa força, nada resume melhor a grandiosidade da nossa escrita do que esse trecho icônico e inesquecível de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa:
“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desanda. O que ela quer da gente é coragem.”
É exatamente essa coragem que transborda em cada página escrita na nossa terra. Nossa literatura é o retrato de um povo que, mesmo nos momentos mais difíceis, encontra nas palavras uma forma de resistir, criar beleza e gritar pro mundo quem nós somos.
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A nossa cultura e a nossa arte são as únicas coisas que ninguém na terra consegue roubar da gente. O Brasil é uma referência de autenticidade que nenhum outro país chega perto de alcançar. A nossa natureza, o nosso jeito de acolher, o sotaque de cada canto, as nossas danças e etc, tudo isso é único e bonito demais. É bem o que o nosso hino canta e que faz o peito inflar:
“Do que a terra, mais garrida / Teus risonhos lindos campos têm mais flores / ‘Nossos bosques têm mais vida’ / ‘Nossa vida no teu seio mais amores’.”
Essa vida e esses amores transbordam em tudo o que criamos. O mais bonito de ver é como o jogo virou, aqueles mesmos que antes nos colonizavam, nos discriminavam e olhavam para a nossa cultura com menosprezo, hoje assistem ao nosso espetáculo de camarote, eles se encantam, se inspiram e tentam copiar o nosso jeito, mas o Brasil deixou de ser quem copia para se tornar a grande influência do mundo, eles queriam que a gente fosse como eles, mas a verdade é que hoje, quem quer ser como nós, são eles.
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